Trump planeja declarar Ormuz território americano, mas especialistas divergem
Donald Trump anunciou planos para declarar o Estreito de Ormuz como território dos EUA após derrotar o Irã, mas especialistas alertam que a ação é complexa e ilegal segundo o direito internacional. Questões sobre a soberania do estreito e a liberdade de navegação são discutidas por especialistas.

Na última sexta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, **Donald Trump**, anunciou sua intenção de declarar o Estreito de Ormuz como território dos EUA. A medida, segundo Trump, seria implementada após a vitória americana sobre o **Irã**, que ele acredita ocorrerá "muito em breve". O presidente também afirmou que os EUA já possuem "controle total" sobre essa importante via navegável, que é crucial para o comércio marítimo mundial.
## A Repercussão da Declaração
Trump foi enfático em suas declarações, afirmando: "Nós somos donos dele e, em algum momento, talvez eles façam algo e então sejam destruídos". Essa afirmação levantou preocupações e críticas de especialistas em direito internacional, que alertam que a simples declaração de um território não é tão simples como o presidente sugere.
**Jason Chuah**, professor de Direito Marítimo da City, University of London, explicou que, de acordo com a legislação americana, a declaração de um território por um presidente não é suficiente para que isso se torne uma realidade. Para que tal reivindicação seja válida, existem requisitos constitucionais que precisam ser observados.
## Direito Internacional e a Possibilidade de Anexação
O especialista ressaltou que, segundo o direito internacional, a anexação de territórios é contrária à **Carta das Nações Unidas**. Territórios, incluindo corpos d'água, só podem ser adquiridos por meio de acordos ou cessões. Ele afirmou: "A ocupação de um território pode dar ao Estado ocupante controle sobre a área, mas isso, por si só, não confere título jurídico".
**Simon Baughen**, professor de Direito do Transporte Marítimo na Universidade de Swansea, também se mostrou cético em relação à possibilidade de Trump concretizar sua intenção. Para ele, a ideia de reivindicar Ormuz como território americano só poderia se tornar realidade se o Irã concordasse em ceder suas águas territoriais, algo que ele considera altamente improvável.
## Cenários Futuramente Possíveis
Baughen sugere que um desfecho mais viável seria uma negociação entre os EUA, o Irã e Omã para a abertura do Estreito de Ormuz, possivelmente com a cobrança de pedágios das embarcações que passam pela via. No entanto, isso também poderia ser considerado ilegal segundo as disposições da **Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS)**, que regula as normas de navegação marítima.
Nem o Irã nem Omã possuem direitos absolutos sobre o Estreito de Ormuz, e a liberdade de navegação é um princípio que prevalece. Chuah enfatiza: "O estreito não é propriedade do Irã nem de Omã, no sentido comum de um imóvel. É um território soberano, sujeito a um regime internacional de navegação marítima". A ideia de que uma marinha pode controlar uma via navegável, mas não reescrever as normas de titularidade, é um ponto crucial a ser considerado.
Neste cenário complexo, a proposta de Trump parece distante de uma concretização prática e legal, o que levanta questões sobre a política externa dos EUA e suas implicações para a região.
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