Mercado em queda: inflação e incertezas fiscais afetam Bolsa e dólar
O dólar comercial subiu 0,25% e o Ibovespa caiu 0,23%, com incertezas fiscais e eleitorais afetando o mercado. Investidores estrangeiros estão deixando o Brasil, enquanto a queda dos ativos pode abrir oportunidades de compra.

O cenário econômico brasileiro continua desafiador, refletindo diretamente no mercado financeiro. Nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, o dólar comercial teve uma alta de 0,25%, encerrando o dia cotado a R$ 5,193. Durante a sessão, a moeda norte-americana atingiu uma máxima de R$ 5,199 e uma mínima de R$ 5,176, evidenciando a volatilidade que permeia o mercado.
Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da B3, apresentou uma leve queda de 0,23%, fechando aos 167.100,95 pontos. Essa movimentação é atribuída a fatores internos, conforme explica **Bruno Perri**, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. Segundo Perri, "essa movimentação aqui tem fundamento muito mais doméstico" e reflete uma série de incertezas fiscais e eleitorais que estão no radar dos investidores.
Essas incertezas têm gerado um clima de apreensão, não apenas para o investidor local, mas também para os estrangeiros, que estão começando a deixar o Brasil. A queda nas ações da Hapvida, que despencou 33% após resultados considerados negativos, é um exemplo claro desse impacto. Perri destaca que "o investidor local é que estava mais preocupado com eleição e dinâmica de dívida bruta, de crescimento real das despesas e isso começou a vir um pouquinho mais para o investidor estrangeiro agora".
Para os próximos pregões, a expectativa é de que a pressão sobre a Bolsa continue. O economista acredita que "a tendência negativa pode prevalecer amanhã na Bolsa", mas ressalta que a recente queda dos ativos pode abrir oportunidades para compras. Ele observa que "começamos a ter uma Bolsa bastante descontada, que pode destravar um movimento de compra de pechinchas".
Em contrapartida, o mercado internacional apresentou um cenário mais favorável. Em Wall Street, os índices tiveram uma reação positiva após o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos vir abaixo das expectativas, permanecendo estável quando o mercado previa uma alta de 0,2%. Perri comenta que esse resultado "reforçou a percepção de que não haverá alta de juros no curto prazo", o que contribui para um apetite ao risco mais elevado entre os investidores.
Além disso, os desdobramentos das negociações envolvendo o estreito de Ormuz continuam a ser monitorados. O Brent, que é o petróleo referência, fechou em queda de 2,15%, cotado a US$ 87,07, após seis sessões consecutivas de ganhos.
Esse contexto ressalta a fragilidade do atual cenário econômico brasileiro, onde as incertezas fiscais e eleitorais podem influenciar não apenas o mercado financeiro, mas também a confiança dos investimentos no país.
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