Inflação de quase 90% empurra classe média iraniana para a pobreza
A inflação no Irã, que se aproxima de 90%, aliada à guerra em curso, tem pressionado duramente a classe média iraniana, forçando muitas famílias a cortar gastos essenciais e aumentando a pobreza no país. Especialistas prevêem que o cenário econômico continuará difícil mesmo com o arrefecimento do conflito.

## Inflação recorde agrava crise econômica no Irã
A classe média iraniana enfrenta grave deterioração das condições de vida devido à inflação anual próxima a 90%, reflexo de um cenário econômico cada vez mais complicado pelo impacto da guerra iniciada em 2025. Muitas famílias são obrigadas a cortar gastos essenciais para manter a sobrevivência, impondo um desafio social e econômico profundo ao país do Oriente Médio.
Mina, dona de casa no Irã, relata que o conflito armado tornou o acesso a bens básicos muito mais difícil. "Não me lembro da última vez que compramos carne vermelha. Substituímos por frango, mas até o frango virou luxo", conta. O orçamento familiar está restrito apenas ao pagamento de aluguel e alimentação, sem margem para economias ou lazer.
## Impacto da guerra e sanções na economia iraniana
O Fundo Monetário Internacional prevê uma queda de 5,4% no PIB do Irã para 2025, enquanto o Banco Mundial corrobora o impacto negativo da guerra em setores produtivos e na continuidade do comércio exterior. Ahmad Alavi, economista baseado na Suécia, aponta que a crise econômica já existia, mas a guerra acelerou as dificuldades ao agravar inflação, desvalorização da moeda e déficits fiscais.
Danificações a infraestrutura, bloqueios ao comércio, principalmente no Estreito de Ormuz, e instabilidades nas redes de comunicação intensificaram as pressões inflacionárias e corroeram o poder de compra dos iranianos.
## Inflação e aumento do custo de vida
A inflação na alimentação disparou: pães e cereais subiram cerca de 140%, carnes e aves, 135%, e óleos comestíveis, mais de 200%. Esses reajustes forçaram as famílias a reduzir refeições, atrasar cuidados médicos e abandonar reservas financeiras, sobretudo os trabalhadores e aposentados que vinham do grupo médio, agora cada vez mais vulnerável à pobreza.
Estima-se que entre 3,5 milhões e 4,5 milhões de iranianos tenham caído para a faixa da pobreza nos últimos meses, totalizando cerca de 40 milhões vivendo abaixo da linha da pobreza num país de aproximadamente 92 milhões de habitantes.
## Desafios para o setor privado e perspectivas futuras
O comércio local sofre com as mudanças nas rotas regionais e variações diárias nas taxas de câmbio, que impedem a estabilidade e o planejamento de investimentos. Apesar do Irã ser um grande produtor de petróleo, as sanções e os entraves logísticos limitam a capitalização desse potencial para reverter a crise.
Medidas de curto prazo, como subsídios e controle de preços, não são soluções suficientes para corrigir problemas estruturais. Alavi destaca que o cenário econômico continuará delicado mesmo se as hostilidades diminuírem, devido à insegurança política e econômica que afasta investidores e mantém famílias com gastos restritos.
Para muitos iranianos, a esperança parece distante. Mina, a dona de casa, resume o sentimento que domina emergente em seu país: "Não falamos mais sobre o futuro. Só esperamos conseguir pagar o aluguel do próximo mês."
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