COP da Desertificação alerta sobre impacto global, com foco no Brasil e soluções para o Semiárido
A COP17 da ONU sobre Desertificação reúne representantes globais para discutir os riscos crescentes da degradação dos solos. O Brasil, com sua maior delegação em conferências do tipo, destaca experiências de restauração no Semiárido e propõe soluções para enfrentar desafios de segurança hídrica e alimentar. O evento re

A 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulan Bator, na Mongólia, mobiliza representantes de diferentes países para debater um tema que ganha relevância crescente: a degradação dos solos e seus impactos sobre bilhões de pessoas. O evento, iniciado em 17 de agosto, segue até o dia 28 e traz um alerta crucial também para o Brasil, país com vastos territórios já ameaçados pela desertificação, especialmente no Semiárido nordestino.
## Desafios globais da desertificação
Embora menos divulgada que conferências sobre clima e biodiversidade, a COP da Desertificação destaca como a deterioração dos solos coloca em risco a segurança alimentar, a água e a subsistência em escala global. Pesquisadores da área, como Jean-Luc Chotte do IRD, frisam que a desertificação ocorre, sobretudo, em zonas áridas e semiáridas habitadas, afetando agricultores e populações rurais — não apenas as regiões tradicionalmente ligadas a desertos.
A situação é alarmante: cerca de 40% das áreas terrestres do planeta já mostram sinais de degradação, atingindo diretamente 3,2 bilhões de pessoas. Todos os anos, cerca de 100 milhões de hectares de solos produtivos tornam-se improdutivos, gerando um prejuízo econômico global de cerca de US$ 880 bilhões. Projeções indicam que, até 2050, até 75% da população mundial pode enfrentar os efeitos da seca, e 700 milhões de pessoas podem ser deslocadas devido à escassez de água e degradação ambiental já a partir de 2030.
## Soluções possíveis e necessidade de investimentos
Especialistas reunidos na conferência destacam que os desafios da degradação do solo assumem particularidades conforme o nível de desenvolvimento de cada país. Nos mais ricos, insumos agrícolas mascaram as perdas de produtividade. Já em nações mais pobres, sobretudo na África Subsaariana, a falta de acesso a recursos aumenta a vulnerabilidade.
A restauração dos solos aparece como prioridade, mas demanda investimentos maciços. A própria Convenção da ONU estima que seriam necessários US$ 1 bilhão por dia para reverter o cenário global. De acordo com a Agência Francesa de Desenvolvimento, porém, cada dólar investido em restauração pode gerar até US$ 30 em benefícios econômicos, comprovando a viabilidade e a urgência dessas ações. O fortalecimento da saúde dos solos é fundamental para aumentar a resiliência das sociedades frente a eventos climáticos extremos e para garantir a segurança hídrica e alimentar.
## O papel e os desafios do Brasil na COP17
O Brasil chega à COP17 com sua maior delegação já enviada a uma conferência da ONU sobre desertificação: mais de cem representantes de diversos setores e esferas, inclusive governo, ciência e sociedade civil. O país busca promover políticas e projetos de restauração ecológica, destacando cases bem-sucedidos no Semiárido, especialmente na Caatinga, bioma que concentra 18% do território nacional vulnerável à desertificação e abriga cerca de 39 milhões de pessoas afetadas.
Com um pavilhão próprio no evento, o Brasil apresenta iniciativas de adaptação, recuperação de áreas degradadas e propostas para fortalecer a segurança alimentar e hídrica, integrando a pauta das mudanças climáticas. O debate no cenário internacional reforça a importância de políticas públicas robustas para mitigar os riscos trazidos pela degradação dos solos, um desafio cada vez mais urgente e relevante para o futuro das populações brasileiras.
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