O Banco do Brasil apresentou evolução positiva em sua carteira de crédito no fechamento de junho, alcançando R$ 1,31 trilhão após crescimento de 1,4% em doze meses. O resultado, visto por analistas e investidores como um dos pontos fortes do novo balanço da instituição, evidencia a expansão nas concessões para o consumidor e para o setor do agronegócio. Apesar disso, a inadimplência no segmento agropecuário segue pressionando o desempenho do banco, mantendo o setor sob atenção do mercado financeiro.

Crescimento da carteira e desempenho por segmento

De acordo com o balanço, enquanto a carteira de crédito total cresceu, as linhas específicas para pessoas físicas saltaram de R$ 342,5 bilhões para R$ 357,6 bilhões, representando avanço de 4,4%. Já o crédito voltado ao agronegócio teve elevação de 0,8%, passando de R$ 404,9 bilhões para R$ 421,6 bilhões no período de um ano. Em contrapartida, o segmento voltado a empresas apresentou retração de 4%, ficando em R$ 404,1 bilhões.

No primeiro semestre, destaca-se ainda o fortalecimento dos empréstimos ao governo, com expansão de 9% na carteira destinada ao setor público.

Lucro e receitas impulsionadas pelo crédito

No segundo trimestre de 2026, o Banco do Brasil apurou lucro de R$ 3,9 bilhões, crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem financeira bruta atingiu R$ 27,5 bilhões, aumento de 9,6% em doze meses, sendo impulsionada pelo incremento nas receitas de crédito, especialmente na carteira de pessoas físicas.

Em reconhecimento ao desempenho, a instituição anunciou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio, resultando em R$ 0,102 por ação a ser creditado aos acionistas em setembro.

Inadimplência no agronegócio preocupa o mercado

Apesar dos avanços, permanece a preocupação com o agronegócio: a inadimplência do setor atingiu 6,27%, marcando o 12º trimestre consecutivo de alta. O banco aposta na Medida Provisória 1.376 para favorecer a reestruturação de dívidas rurais, embora o instrumento enfrente desafios burocráticos para implementação efetiva. A expectativa do Banco do Brasil é que, nos próximos meses, o programa de reestruturação de dívidas contribua para a redução das provisões nas operações do agro.

Repercussão no mercado acionário

Com a divulgação dos resultados, as ações do Banco do Brasil oscilaram na abertura e encerraram o dia em queda de 3%, cotadas a R$ 18,43 — menor valor desde agosto passado. O recuo reflete a cautela de investidores diante do cenário persistente de inadimplência no agronegócio, mesmo com os resultados operacionais positivos apresentados pela instituição.

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